Cardápio curto com infinitas possibilidades condenadas a eterna reformulação...
Como surgiu Café com Leite Crente?
Café com Leite Crente surgiu dos sonhos de Adriana Chalela (A Razão da Esperança), Regina Farias (Bora Ler) e João Carlos (Pastor João e a Igreja Invisível). Três amigos virtuais e irmãos em Cristo, separados por milhares de quilômetros mas que compartilham da mesma visão do Reino de Deus, Reino este que começa aqui na Terra e continuará por toda a Eternidade. Devido às nossas afinidades, decidimos unir nossos esforços para mostrar que é possível sermos 100% cristãos, mas com os pés 100% no chão, vivendo uma espiritualidade madura e responsável sem perder o amor pela vida que fomos graciosamente presenteados por nosso amoroso Pai.
Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...
Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Correr atrás do vento
"Então, vi que
TODO trabalho e TODA destreza em obras
provêm da INVEJA do
homem CONTRA O SEU PRÓXIMO.
Também isto é vaidade
e correr atrás do vento".
Este versículo acima (caps meus)
faz parte do capítulo quatro do livro de Eclesiastes, onde o sábio, por meio de suas
próprias experiências (Então, vi...) enfoca o valor do trabalho em equipe, da
cooperação, do companheirismo, da amizade, da comunhão com os outros.
Ressaltando que o objetivo
egoísta de 'se dar bem', ter fama, popularidade e trabalhar muito apenas para
obter mais do que os outros é um impulso fútil e que não tem nenhum valor em si. "Nem mesmo o prestígio proporcionará felicidade e contentamentos duradouros".
.........
O breve comentário acima, eu fiz há
dois dias no Blog do Irlandês. Fala da INVEJA, esse descontentamento com o que
se tem, numa sociedade cada vez mais consumista que estimula a pessoa a uma
"escalada contínua em busca de algo melhor, mais fácil e mais
opulento".
Aí, numa espécie de sequência, lá
estava eu ontem lendo uma ‘Quem’ na sala de recepção do dentista de minha
sobrinha. É somente quando eu leio esse tipo de 'cultura inútil'. (Abafa rss). Mas, casualmente, e provando que se tira coisa boa de (quase) tudo, abri numa
matéria que falava sobre a busca frenética pela fama em detrimento de outros
valores. Automaticamente, associei ao texto do blog. É impressionante como isso
sempre me acontece. Como se a atestar um raciocínio anterior...
A reportagem era com a estonteante
Ana Paulo Arósio, mesmo com alguns quilinhos a mais e os cabelos esvoaçantes. Modelo e atriz que dominou altas campanhas publicitárias, foi
capa de revista constantemente e ainda participou de ‘Forever’ (1991 - Walter
Hugo Khouri), marcando sua estreia no cinema. Abandonando a carreira justamente
quando escalada para protagonizar a personagem Marina em Insensato Coração
(2011), foi acusada por Gilberto Braga de ter atitude anti-profissional. Ora,
ela tinha suas razões pessoais e não cederia a imposições globais que seduzem e
induzem à obediência cega.
Eu já gostava dela, mas tornei-me
sua fã ao ler suas considerações. Palavras
sábias de uma linda mulher centrada, serena e firme nas colocações. Discorrendo
sobre esse lance do artista ter o glamour como obrigação, identifiquei-me
imediatamente com o que ia lendo. Ela falando dessa paranoia de você ter que estar sempre
bem, sempre cuidando obsessivamente da aparência, sem muito espaço para a vida
emocional. E arremata: ‘não é apenas
em função do dinheiro e da fama que a gente tem que viver’.
Há uma linha tênue que separa a
ambição saudável da competição invejosa. E, para isso, o meio artístico é campo fértil. Ora, como alude a mesma edição da citada revista, o artista é
flagrado em cenas da vida real na praia com familiares, correndo na orla
vestido com a camisa do seu time preferido, descalço no shopping porque o
sapato apertou, caminhando nas ruas com o filho vestido de super herói de sua
preferência ou fazendo caminhada com o(a) parceiro(a) nem um pouco conhecido, como qualquer mortal.
São (ou deveriam ser) pessoas normais com comportamento normal. Entretanto, o que se
percebe é que há sempre uma resposta a uma cobrança de um público (não menos neurótico) que exige uma
postura ‘diferente’ por parte do seu ídolo. O ídolo, por sua vez, se apavona
com essa cobrança, sobe no salto e começa a se enxergar acima do bem e do mal.
Veja, por exemplo, a atitude arrogante da Rita Lee em show que lhe rendeu um
senhor processo...
O artista precisa estar sempre lúcido, não ceder aos deslumbres
para não sair do foco. Afinal, antes de tudo, ele abraçou uma profissão cujos ‘ossos
do ofício’ exigem constante concentração. Ele não pode se permitir viajar
na maionese achando que sua vida é só palco e mídia, deixando que os holofotes
o ceguem e incham o ego, confundindo os reais valores da existência. Não é fácil, mas apenas
em constante vigilância nesse sentido, ele evita cair na cilada da mera competição invejosa que garante sua popularidade.
E não é que popularidade seja ruim. Ruim é fazer disso o objetivo principal, pois que facilmente se esvai e logo se é esquecido. Não é à toa que, há
séculos, já dizia o sábio que ‘isso é correr atrás do vento’.
RF.
sábado, 2 de junho de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
A flexibilidade do bambu...
Depois de uma grande tempestade,
o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda
e falou:
- Vovô, corre aqui! Explica-me como
essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para
balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva... E este bambu
é tão fraco e continua de pé?
- Filho, o bambu permanece em pé
porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis
enfrentar o vento. A figueira, inflexível, sucumbiu! Enquanto a flexibilidade do bambu o mantém vivo.
O bambu nos ensina sete coisas.
O bambu nos ensina sete coisas.
A primeira verdade que o bambu
nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das
dificuldades.
Segunda verdade: o bambu cria
raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para
cima ele tem para baixo também.
Terceira verdade: Você já viu um
pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que
nasça outros a seu lado. Ele sabe que vai precisar deles.
A quarta verdade que o bambu nos ensina
é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em comunidade, o bambu não
se permite criar galhos.
A quinta verdade é que o bambu é
cheio de nós (e não de eus). Como ele é
oco, sabe que se crescesse sem nós seria
muito fraco.
A sexta verdade é que o bambu é
oco, vazio de si mesmo
Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é que
ele só cresce para o alto.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Uma vida de luxo
![]() |
| Regina Farias |
Luxo.
É impossível viver sem ele; só que existem luxos e luxos.
Para a milionária Barbara Hutton, a herdeira mais rica dos Estados Unidos, um deles foi mandar fabricar um Rolls-Royce em tamanho pequeno para dar de presente a seu filho, então com 9 anos. E, para motorista do carro, contratou um anão.
Para a milionária Barbara Hutton, a herdeira mais rica dos Estados Unidos, um deles foi mandar fabricar um Rolls-Royce em tamanho pequeno para dar de presente a seu filho, então com 9 anos. E, para motorista do carro, contratou um anão.
Será que ter dinheiro demais pira a cabeça das pessoas, elas nunca ficam satisfeitas? Detalhe: depois de nove casamentos, Barbara Hutton morreu pobre.
Para não ser radical, admito que algum dinheiro sempre ajuda, mas não é tão fundamental assim. Então vou falar de algumas coisas que são, para mim, o luxo dos luxos e que não custam quase nada.
Acordar num domingo de manhã sabendo que a faxineira não vem,que todos os eletrodomésticos da casa não estão funcionando e que, com a graça de Deus, o telefone não vai tocar. O dia será silencioso, e o único movimento na casa será o dos gatinhos (agora tenho mais dois) correndo e se enrolando uns nos outros sem emitir um só som. Um domingo assim é um luxo total.
Para não ser radical, admito que algum dinheiro sempre ajuda, mas não é tão fundamental assim. Então vou falar de algumas coisas que são, para mim, o luxo dos luxos e que não custam quase nada.
Acordar num domingo de manhã sabendo que a faxineira não vem,que todos os eletrodomésticos da casa não estão funcionando e que, com a graça de Deus, o telefone não vai tocar. O dia será silencioso, e o único movimento na casa será o dos gatinhos (agora tenho mais dois) correndo e se enrolando uns nos outros sem emitir um só som. Um domingo assim é um luxo total.
Outra preciosidade é, depois de passar 20 dias sem comer carboidrato, nem unzinho, pegar no armário aquela calça de 15 anos atrás, quando você era uma sílfide, e o zíper fechar. A felicidade é maior do que se ganhasse um brilhante.
E quando você chega da rua, com um calor de matar, pega um copo (bonito, de preferência) e toma uma água bem gelada, não é um luxo? Se puser dentro de uma jarra (bonita, de preferência) cascas de limão-siciliano e deixar na geladeira, vai ser a água mais fresquinha e perfumada que já tomou. Não é um superluxo?
Aí você se refresca num chuveiro e depois vai para o quarto, liga o ar-condicionado e se deita numa cama com lençóis brancos limpinhos, cheirosos. Tem luxo maior?
Dar um mergulho num mar azul, sem ondas, sem se preocupar com os cabelos, e depois tomar uma água de coco? E então comer um peixe grelhado, temperado apenas com sal, limão e um fio de azeite.
Depois de passar por várias paixões sofridas e alguns casamentos errados, não estar apaixonada é um luxo. Uma sexta-feira, às 7 da noite, você está sozinha, sem a angústia de esperar aquele telefonema. Sente-se independente e decide sair. Enquanto pinta o olho, começa a pensar em que restaurante vai sem ninguém para dizer que prefere outro. Quando chega lá, toma dois drinques sabendo que é uma mulher livre e resolvida, que não precisa de ninguém para uma coisa tão banal, que é jantar fora. Não é um luxo?
Bom demais é ter resistido à compra daquele vestido lindo, que fez você ficar duas noites sem dormir pensando “compro ou não compro?”, e passar pela loja uma semana depois, ver que ele está em liquidação, pela metade do preço, e que você nem o quer mais.
E quando chega de uma reunião de trabalho com a cabeça quente, se sentindo um lixo, e a empregada fez aquela sobremesa que você adora, não é como se o Universo estivesse todo a seu favor?
E o resultado do exame avisando que sua saúde está ótima?
E seu filho que telefona para dizer que está com saudades?
Percebo que misturei muitos luxos com momentos de felicidade; e existe luxo maior do que ser feliz?
(Danuza Leão)
LER TAMBÉM ---> RIQUEZA: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO?
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Minha Alma
A minha alma está armada
E apontada para a cara do sossego
Pois paz sem voz não é paz, é medo
Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Para tentar ser feliz
As grades do condomínio são para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se não é você que está nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo
Procurando novas drogas de aluguel
Nesse vídeo coagido pela paz que eu não quero seguir admitindo
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
A carpa, o golfinho e o tubarão
| Existem três tipos de pessoas: as carpas, os tubarões e os golfinhos. A carpa é dócil, passiva e, quando agredida, não se afasta nem revida. Ela não luta, mesmo quando provocada. Considera-se uma vítima, conformada com seu destino. Alguém tem que se sacrificar, então a carpa se sacrifica. Ela se sacrifica porque acredita que há escassez. São aquelas pessoas que numa negociação sempre cedem, sempre são as que recuam; em crises, se sacrificam por não poderem ver outros se sacrificarem. Jogam o perde-ganha, perdem para que o outro possa ganhar. Declaração que a carpa faz para si mesma:
´ Nesse mar existe outro tipo de animal: o tubarão. O tubarão é agressivo por natureza, agride mesmo quando não provocado. Ele também crê que vai faltar. Mas já que vai faltar, que falte para outro, não para ele. Eu vou tomar de alguém. Esse tipo de pessoa passa o tempo todo buscando vítimas para devorar porque ele acredita que podem faltar vítimas. E suas vítimas são as as passivas carpas. Tanto o tubarão como a carpa acabam viciados nos seus sistemas. Costumam agir de forma automática e irresistível. Os tubarões jogam o ganha-perde, eles tem que ganhar sempre, não se importando que o outro perca. Declaração que o tubarão faz para si mesmo:
O terceiro tipo de animal: o golfinho. Os golfinhos são dóceis por natureza. Quando atacados revidam e se um grupo de golfinhos encontra uma carpa sendo atacada eles defendem a carpa e atacam os seus agressores. Os 'verdadeiros' golfinhos são algumas das criaturas mais apreciadas das profundezas. Podemos suspeitar que eles sejam muito inteligentes - talvez, à sua própria maneira, mais inteligentes do que o Homo Sapiens. Seus cérebros, com certeza, são suficientemente grandes - cerca de 1,5 quilograma, um pouco maiores do que o cérebro humano médio - e o córtex associativo do golfinho, a parte do cérebro especializada no pensamento abstrato e conceitual, é maior do que o nosso. E é um cérebro, como rapidamente irão observar aqueles fervorosos entusiastas dedicados a fortalecer os vínculos entre a nossa espécie e a deles, que tem sido tão grande quanto o nosso, ou maior do que o nosso, durante pelo menos 30 milhões de anos. O comportamento dos golfinhos em volta dos tubarões é legendário e, provavelmente, eles fizeram por merecer essa fama. Usando sua inteligência e sua astúcia, eles podem ser mortais para os tubarões. Matá-los a mordidas? Oh, não! Os golfinhos nadam em torno e martelam, nadam e martelam. Usando seus focinhos bulbosos como clavas, eles esmagam metodicamente a "caixa torácica" do tubarão até que a mortal criatura deslize impotente para o fundo. Todavia, mais do que por sua perícia no combate ao tubarão, escolhemos o golfinho para simbolizar as nossas idéias sobre como tomar decisões e como lidar com épocas de rápidas mudanças devido às habilidades naturais desse mamífero para pensar construtiva e criativamente. Quando não conseguem o que querem, os golfinhos alteram seu comportamento com precisão e rapidez, algumas vezes de forma engenhosa, para buscar aquilo que desejam. Golfinhos procuram sempre o equilíbrio, jogam o ganha-ganha, procuram sempre encontrar soluções que atendam as necessidades de todos. Declaração que o golfinho faz para si mesmo:
Afanei DAQUI <--- |
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Sabedoria...
![]() |
| (Vanessa Redgrave e Amanda Seyfried em 'Cartas para Sofia') |
Quando eu for bem velhinha, espero, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto - pode ser um impecável cabernet - dizer à minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto:
- O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha mente é o que me resta saudável e forte. Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
- O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha mente é o que me resta saudável e forte. Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente. Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão. Satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação. Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos.
Tenha filhos.
Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e à Austrália.
Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Vai que o carteiro ganha na loteria...
- Tudo é possível e o futuro é imprevisível. Tenha uma vida rica de vida! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco! Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia. Pinte, desenhe, escreva. E, por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso, minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O Lixo
- Bom dia.
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é ... - Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo ...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
- Na verdade sou só eu.
- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar .
- Entendo.
- A senhora também .
- Me chama de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é ...
- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
- É que estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo,decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler ...
- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através dos lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos
outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo.
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode... Jantar juntos?
- É. Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é ... - Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo ...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
- Na verdade sou só eu.
- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar .
- Entendo.
- A senhora também .
- Me chama de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é ...
- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
- É que estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo,decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler ...
- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através dos lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos
outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo.
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode... Jantar juntos?
- É. Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
Luis Fernando Veríssimo
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