Como surgiu Café com Leite Crente?

Café com Leite Crente surgiu dos sonhos de Adriana Chalela (A Razão da Esperança), Regina Farias (Bora Ler) e João Carlos (Pastor João e a Igreja Invisível). Três amigos virtuais e irmãos em Cristo, separados por milhares de quilômetros mas que compartilham da mesma visão do Reino de Deus, Reino este que começa aqui na Terra e continuará por toda a Eternidade. Devido às nossas afinidades, decidimos unir nossos esforços para mostrar que é possível sermos 100% cristãos, mas com os pés 100% no chão, vivendo uma espiritualidade madura e responsável sem perder o amor pela vida que fomos graciosamente presenteados por nosso amoroso Pai.

Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...


sábado, 5 de março de 2011

Pérolas de Alunos Portugueses

Depois de ver diversas pérolas do Enem, fiquei desconfiado de que havia algo a mais, por trás disto. Finalmente, descobri!!! Maldição hereditária!!!! Confiram:


O cravo não brigou com a rosa?!

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.

Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo – o homem – e a rosa – a mulher – estimula a violência entre os casais. Na nova letra “o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada”.

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.

Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão – o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil – de deficiente vertical .. O crioulo – vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) – só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo – o famoso branco azedo ou Omo total – é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia – aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno – é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo – outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão – é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais… Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a “melhor idade”.Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.


Extraído DAQUI


quinta-feira, 3 de março de 2011

Os manuscritos do bar da santa ceia


Uma equipe internacional de arqueólogos encontrou na região da antiga Galiléia as ruínas de um pé-sujo onde teria se realizado a Santa Ceia. A principal prova é um manuscrito de grande valor histórico-religioso, cujos trechos mais importantes nós traduzimos e reproduzimos a seguir. Foi encontrada também a conta da Santa Ceia e os arqueólogos já mandaram perguntar ao papa quem é que vai pagar.


“E Jesus tomou do pão e fez uma bolinha com o miolo e tacou dentro do copo de vinho de Bartolomeu. E Jesus acertou em cheio. E Jesus viu que era bom. E transformou a água em vinho, os pratos em capacetes romanos, os copos em pequenas cruzes, os guardanapos em posters da Maria Madalena de biquíni e dois garçons em estátua de sal. E Jesus viu que era muito bom. E Simão obtemperou: já não tereis bebido demais, ó Senhor? Não seria de bom alvitre pedirdes a conta? E o Senhor falou: por que não encherdes o saco de outro, ó Simão? E vamos parar de falar na segunda pessoa do plural que esse negócio de vós isso e vós aquilo é um saco!

E Tiago olhou Jesus e ponderou: mas Senhor, vós, quer dizer, tu, não, o Senhor ainda tem dois sermões para fazer hoje, no Monte das Bananeiras e no Morro da Mangueira. E Jesus mais uma vez protestou: vocês estão marcando um monte de sermão e milagre sem me consultar. Assim eu vou acabar partindo para uma carreira solo. E Judas se levantou e disse: Senhor, abriu uma nova casa de show de um romano amigo meu lá no Calvário. Se o Senhor quiser eu posso falar com ele. E os apóstolos condenaram Judas. E começaram a bater boca. E uns, mais exaltados, ameaçavam partir pra briga. E Jesus deu um murro na mesa e bradou: chega! Não dá nem pra gente sair pra se divertir que vocês já começam com essa brigalhada! Essa é a última ceia que eu faço com vocês! Garçom, a conta!

E os apóstolos se calaram e o garçom trouxe a conta। E Jesus viu que havia doze porções de linguicinha. E Jesus viu que não era bom. E Jesus esbravejou com o garçom. E o garçom falou que doze era o número de pratos de linguicinha na mesa, bastava contar. E Tomé tomou da palavra e garantiu que só tinham sido pedidas seis linguicinhas e que as outras seis Jesus é que multiplicara. E o garçom resmungou que esse golpe de dizer que alguém multiplicou coisas na mesa já estava pra lá de manjado ali na Galiléia e que todo fim de semana aparecia um engraçadinho com essa história.

E Jesus continuou olhando a conta e indagou se Pedro havia pedido lagosta de novo e lembrou a Pedro que eles haviam combinado que ninguém pediria lagosta pois era um peixe muito caro. E Pedro negou que tivesse pedido lagosta e afirmou que lagosta não era peixe, era crustáceo. E Jesus retrucou que lagosta podia ser até um coleóptero mas não era pra pedir. E por três vezes Jesus insistiu com Pedro se a lagosta era dele. E por três vezes Pedro negou Cristo: eu não pedi porcaria de lagosta nenhuma, eu tenho alergia a frutos do mar!

E Mateus perguntou: mas afinal, lagosta é crustáceo ou é fruto do mar? E Judas mandou Mateus fechar a matraca. E André acusou Judas pela lagosta. E Judas caguetou que quem pediu a lagosta foi a Maria Madalena. E Maria Madalena xingou Judas de dedo-duro e caiu em prantos e implorou que Jesus a perdoasse. E Jesus disse: ó Madalena, o meu peito percebeu que o mar é uma gota comparado ao pranto teu! E Maria Madalena achou lindo e Jesus viu que era bom e João queixou-se: eu não entendi. Essa mania que o Senhor tem de falar com metáfora ainda vai dar confusão.

E Arnaldo suplicou: explicai, Senhor. E Jesus deu outro murro na mesa: já falei pra parar com essa história de vós! Aliás, quem foi que te convidou pra nossa ceia, hein? E Arnaldo saiu de fininho. E o garçom trouxe a nova conta e perguntou quem é que ia pagar. E novo bate-boca se iniciou entre os apóstolos. E Jesus pegou a conta e determinou: Judas, você é o nosso tesoureiro e portanto terá que pagar a conta. E João observou: viu só, sem metáfora dá pra entender muito melhor. E Felipe deu uma cotovelada em João e João se calou e Jesus entregou a conta para Judas e Judas reclamou: mas Senhor, estão faltando trinta dinheiros, como é que eu vou arranjar essa quantia? E Jesus calçou suas sandálias e disse, partindo: se vira, Judas, se vira...”

Li este texto muito tempo atrás no PATAVINA'S e até hoje dou risada...

quarta-feira, 2 de março de 2011

A História do Pastor Aroldo Caramelo



Hoje quero compartilhar com vocês a (não tão) bela história de Aroldo Caramelo. Nasceu pobre no subúrbio de uma metrópole qualquer, numa família de muitos filhos um pouco desestruturada pela estrutura icônica que seguiam como religião.

O pai era homem bruto, machão e duro com tudo e todos. Cuspia marimbondos até quando lhe perguntavam as horas na rua. Ta atrasado?... Sai mais cedo, respondia com sua habitual certeza que o mundo inteiro estava sempre errado, se comparada a sua pessoa!

A mãe era dona de casa simples, carola, beata, cumpridora dos bons costumes e criara os filhos para serem, pelo menos um pouquinho, diferentes do pai. Sempre que podia, às escondidas, adoçava a boca das crianças com um pirulitinho colorido qualquer. Mas que o Deus Protestante nos livre de papai descobrir que andamos adoçando a boca... Cruz, credo, deve ser até pecado!

Um dia Aroldo ainda pequeno, sentiu-se tocado ao ver no céu belo arco íris. Como fazia parte de sua simplicidade herdada de mamãe, logo disse ao seu pai; ‘Veja papai, que lindas cores o Deus Protestante pôs no céu!
Tomou logo um safanão pra não ficar abestalhado e mulherzinha, afinal arco íris é coisa de frutinha!
O pai nunca conseguiu entender pra que Deus pôs tantas cores no arco íris, num tava bom se fossem apenas cinzas e tons pastéis? Vai ver que coisa tão colorida foi criação do Demo, viu?!

Os anos se passaram e Aroldo Caramelo cresceu.
Seu pai havia morrido fazia pouco tempo. Morreu em casa mesmo, abraçado a um quilo de sal, que era pra fazer jus ao seu temperamento tão bem feito.

Mas a mãe resistiu bravamente, pois tinha o sonho de ver seu preferido Aroldinho virar doutor.
Poderia ser engenheiro, médico, ou coisa assim, mas dessas profissões não deveria abdicar, pois como mamãe iria ficar nos assuntos da vizinhança?
Enquanto falavam do filho da vizinha que está morando na França e manda postais com aquelas tanguinhas sensuais dizendo ser artista.
Meu Aroldinho não vai ficar pra trás, pôs os joelhos no chão e começou a pedir ao seu Deus Protestante que seu Aroldo tivesse a melhor profissão do mundo!

Como se o Deus Protestante tivesse ouvido, Aroldo já não tão doce como antes, chegara em casa com uma idéia fixa na cabeça. Vou ser pastor!
A mãe ficou com os cabelos (enrolados num coque) pro alto!
- Pastor, Aroldinho?  Tem certeza meu filho?
- É obvio mãe, o Deus Protestante falou comigo!

Como aquela senhora poderia questionar os santos-sacros desígnios divinos protestantes? Lembrou logo de suas preces recentes e calou-se.

Aroldinho matriculou-se no melhor curso teológico que a pensãozinha que mamãe recebia poderia pagar, ficou ali alguns anos. Formou-se com louvor, adoração, aleluias e hosanas, mas decidiu fazer doutorado, mestrado, a tantas outras coisas que o cursinho poderia lhe oferecer para focar mais perto da honra de seu chamado.

Aroldinho agora era um homem santo, religioso, cumpridor dos bons costumes como sua mãe, mas tornou-se durão, machão e amargo como seu pai.

Como todo bom pastor protestante seríssimo deveria ser, montou sua igreja baseado nos pilares da moral e dos bons costumes.
Fixou junto ao cartaz da igreja a seguinte frase: “Gayzinhos, lésbicas masculinas e coisinhas do tipo nem precisam entrar; primeiro vão se consertar, depois voltem e dêem o dizimo ao ‘Senhor Deus Protestante’!”
Assim ficou conhecido como o pastor mais duro e fundamentalista da paróquia, digo das redondezas.

Mamãe fica pensando nos motivos que Aroldinho teria para ser pastor.
Então um dia, já bem velhinha e cansadinha da vida religiosa que teve, pediu ao Deus Protestante a verdadeira resposta.
Foi numa noite fria de inverno, com seus ossinhos aquecidos por meias de lã multicoloridas feitas por ela mesma no dia posterior a morte do marido, que o Deus Protestante lhe visitou através de seu anjo com glória, psicodelia e muita luz.

Então o anjo tocou-lhe na testa e fê-la adormecer. No sonho, via seu Aroldinho ainda rapazote preocupado com seu futuro financeiro e com o sucesso que poderia lograr comparando-se ao filho da vizinha de sunguinha na França.

Foi aí que pensou; ‘Bom, como médico apenas ajudarei a curar doenças, aplacar a dor de alguns com terapias medicamentosas, não, isso não é nobre o bastante.
Como engenheiro, construirei arranha-céus, escreverei meu nome nas estrelas, mas meus projetos dependerão da aprovação dos donos da obra...’
Assim pensou com seus botões, que a única profissão que agregaria a nobreza de ajudar aos feridos, com a fama de escrever seu nome nos umbrais da humanidade seria a de pastor de ovelhas protestantes.

 Teve uma ‘epifania’ (que diabos é isso?) e viu seu Deus mostrar-lhe um caminho dourado a seguir, e no fim do caminho disse o Deus Protestante; ‘Aroldinho, crie um blog meu filho, e nele diga tudo o que se passa na sua alma!’

Assim, a mãe de Aroldinho já podia descansar em paz, afinal, o Deus Protestante estava no comando de tudo!

Wendel Bernardes.