Como surgiu Café com Leite Crente?

Café com Leite Crente surgiu dos sonhos de Adriana Chalela (A Razão da Esperança), Regina Farias (Bora Ler) e João Carlos (Pastor João e a Igreja Invisível). Três amigos virtuais e irmãos em Cristo, separados por milhares de quilômetros mas que compartilham da mesma visão do Reino de Deus, Reino este que começa aqui na Terra e continuará por toda a Eternidade. Devido às nossas afinidades, decidimos unir nossos esforços para mostrar que é possível sermos 100% cristãos, mas com os pés 100% no chão, vivendo uma espiritualidade madura e responsável sem perder o amor pela vida que fomos graciosamente presenteados por nosso amoroso Pai.

Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Textos Sagrados


Luís Fernando Veríssimo

Aquele pastor americano que previu o fim do mundo para o dia 12 de maio deste ano disse que tinha se baseado em mensagens cifradas da Bíblia para precisar a data. O mundo não acabou, como você deve ter notado, mas isso não impedirá que continue a busca por presságios e sinais escatológicos em textos religiosos, não só na Bíblia como no Corão, no Torá e no Livro dos Mórmons. Continuarão procurando no lugar errado.


Todos os escritos religiosos são narrativas. Narram o deslocamento no tempo e no espaço de um líder, de um salvador, de um povo escolhido. Cristo, Maomé e Abraão são figuras literárias antes de serem outra coisa. Todas as religiões monoteístas compartilham esta qualidade, ou esta inevitabilidade, de literatura, pois só na palavra grafada a aventura sobre a Terra do herói de cada uma se realiza, como só a palavra grafada eternizou a poesia oral de Homero. O texto sagrado é sagrado menos por conter verdades reveladas do que por ser texto, com toda a reverência que a palavra escrita comanda. Mas a literatura não é confiável quando se trata de revelações específicas como o dia, o mês e o ano do fim do mundo.


Jesus Cristo não confiava na palavra escrita. Em todo o Novo Testamento há apenas uma referência a algo escrito por ele (evangelho de João, 8:1-8). Questionado pelos fariseus se uma mulher apanhada em adultério deveria ser apedrejada, Jesus, antes de dizer que quem fosse sem pecado atirasse a primeira pedra, inclinou-se e escreveu com o dedo na terra. Não se sabe o que escreveu, nem em que língua. Há mesmo dúvidas sobre se ele sabia ler e escrever. Talvez apenas fingisse rabiscar na areia enquanto pensava na resposta. Todas as suas mensagens foram em forma de parábolas orais, e suas parábolas foram lições de vida a serem interpretadas, não agouros a serem decifrados. E nenhuma de suas parábolas preconiza que ele será herói ou mártir da narrativa cristã.


Quem também nunca escreveu nada foi Sócrates – o outro pivô, segundo George Steiner, da história intelectual do Ocidente. Que se saiba, Sócrates não escreveu nem com o dedo na terra. O que sabemos dele foi o que Platão publicou. Platão foi para Sócrates o que Paulo de Tarso foi para Jesus, seu exegeta e propagador, com a diferença que Platão foi contemporâneo e discípulo de Sócrates enquanto Paulo de Tarso nunca viu Jesus Cristo. Platão, na sua escrita, se afastou do pensamento do seu mestre. Paulo de Tarso, na sua escrita, transformou um pregador num messias – o que não deixou de ser outra forma de infidelidade.


No fim prevaleceu a literatura. Em todas as religiões monoteístas, os textos impuseram os dogmas, e a palavra grafada se sobrepôs ao espirito e à oralidade. Mas os mitos transcritos de Sócrates e os sermões espontâneos do Cristo, ou tudo que os dois nunca escreveram, talvez nos ensinem que a literatura é sempre uma falsificação, e que a escrita não garante nada. Nem profecias.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sangue novo



A Escrituras Editora tem o prazer de lançar o livro Sangue Novo: 21 Poetas Baianos do Século XXI, organizado pelo poeta José Inácio Vieira de Melo.
O lançamento aconteceu na LDM Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, em Salvador, no dia 23 de julho (sábado).
Nesta coletânea, foram selecionados 21 poetas nascidos a partir de 1980, baianos ou radicados na Bahia. Dez residem em Salvador: Alexandre Coutinho, André Guerra, Bernardo Almeida, Fabrício de Queiroz Venâncio, Gabriela Lopes,Gibran Sousa, Priscila Fernandes, Saulo Moreira, Vânia Melo e Vanny Araújo. Caio Rudá Oliveira, Georgio Rios e Ricardo Thadeu são de Riachão do Jacuípe. Clarissa Macedo e Lidiane Nunes residem em Feira de Santana. Edson Oliveira e Érica Azevedo moram em Santo Estevão. Gildeone dos Santos Oliveira é de Retirolândia. Janara Soares é de Barreiras. Vitor Nascimento Sá é de Maracás. Daniel Farias reside na cidade de São Paulo.
A coletânea conta com a apresentação do escritor e ensaísta Mayrant Gallo, que afirma “Cada poeta se aferra ao seu método de criação e à sua técnica, baseados ambos em suas escolhas pessoais, mas, em geral, o objetivo é o mesmo: acender uma luz no nevoeiro e ascender da obscuridade para a vitrine das relações com o mundo”.
Nas palavras de José Inácio “Sangue Novo muito tem do sangue poético que ora circula pela Bahia e pelos brasis, assim como do velho e bom sangue dos mestres do século XX, que deixaram uma obra que quanto mais o tempo passa, mais se pereniza”. A maior parte destes jovens poetas não tem livro publicado, divulgam seus versos em blogs. São poetas cheios de potencialidades, interessados em se organizar, em promover debates e em mostrar suas produções.
José Inácio Vieira de Melo é poeta, jornalista e produtor cultural. Tem cinco livros de poemas publicados, sendo Roseiral (Escrituras Editora, 2010) o mais recente. Já organizou outras importantes antologias, como é o caso de Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia (Aboio Livre Edições, 2004) e a agenda Retratos Poéticos do Brasil 2010 (Escrituras Editora, 2009). Coordenador e curador de vários eventos literários, como o Porto da Poesia, na VII Bienal do Livro da Bahia (2005) e a Praça de Cordel e Poesia, na 9ª Bienal do Livro da Bahia (2009).
Durante o lançamento irá acontecer um recital com poemas dos 21 poetas do Sangue Novo, recitados por alguns dos integrantes.

Livro: Sangue Novo: 21 Poetas Baianos do Século XXI
Organizador: José Inácio Vieira de Melo 
Apresentador: Mayrant Gallo
Ilustrador: Fernando Aguiar
Autores: Alexandre Coutinho, André Guerra, Bernardo Almeida, Caio Rudá Oliveira, Clarissa Macedo, Daniel Farias, Edson Oliveira, Érica AzevedoFabrício de Queiroz Venâncio, Gabriela Lopes, Georgio Rios, Gibran Sousa, Gildeone dos Santos Oliveira, Janara Soares, Lidiane Nunes, Priscila Fernandes, Ricardo Thadeu, Saulo Moreira, Vânia Melo, Vanny Andrade e Vitor Nascimento Sá.
Editora: Escrituras Editora
Páginas: 248
Preço: 
R$ 30,00

Extraído DAQUI

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Agora pedem pra eu me comportar?



- Tarzan corria pelado...

- Cinderela chegava em casa meia noite...

- Aladim era ladrão...

- Batman dirigia a 320 km/h...

- Pinocchio mentia...

- Bela Adormecida era uma preguiçosa...

- Salsicha (Scooby-Do) tinha voz de maconheiro, via fantasma e conversava com o cachorro...

- Zé Colméia e Catatau eram cleptomaníacos e roubavam cestas de pic-nic...

- Branca de Neve morava na boa com 7 homens (pequenos)...

- Olívia Palito tinha bulimia;

- Popeye fumava um matinho suspeito!!!

- Pac Man corria em uma sala escura com musica eletrônica comendo pílulas que o deixam ligadão;

- Super Homem locão, colocava cueca por cima da calça;

- Margarida namorava o Pato Donald e saía com o Gastão;

Olha os exemplos que eu tive! Tarde demais!

Agora pedem pra eu me comportar?!?!?! Esqueçam!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A história de Alonso, o incompreendido.


Num mundo tão diversificado, com grandes possibilidades e realidades, encontramos todo tipo de gente. Uma dessas ‘gentes’ é o Alonso.
Sempre se sentiu “o cara”. Era “o cara” no futebol e por isso os moleques da rua nunca o chamavam pra jogar pelada no campinho.
Era “o cara” entre as cocotas, por isso seus amigos sempre saíam sem convidá-lo pros agitos da juventude, afinal se ele fosse, pensava, não sobraria cocota sobre cocota!

Conheceu uma professorinha, moradora da zona rural de uma grande metrópole. Era moça simples, acanhada – tímida mesmo – porém jeitosa e formosinha à vista! Com a lábia que cria possuir, Alonso o garanhão do pedaço, adiantou-se na conquista. E não é que levou mesmo?
Será que conseguiu porque a professorinha era do interior e não conhecer as maldades da cidade, ou Alonso conseguira mesmo uma lábia pra ganhar as meninas de verdade? Ninguém sabe dizer, mas até hoje se perguntam todos.

Ficaram juntos uns oito anos. A professorinha era moça acostumada com vida dura, talvez por isso tenha havido tanta durabilidade na relação com esse cara. Mas vivia num inferno! Alonso era um cara chato. A última palavra sempre tinha que ser a dele, coisa característica de gente que não manda nem em treino de time de futebol de botão!

Nasceram lhes dois belos meninos, puxaram a mãe, é claro! Alonso tinha aquele jeito de neanderthal misturado com cara de tratante de filme dos anos cinquenta, desses 171 que permeavam as cidades grandes daquela época, e dessa também!
A professorinha não poderia aguentar mais tempo que isso, mandou Alonso pro sexto dos infernos, porque os quintos, como se diz, já estava lotado. Ele não queria descuidar, afinal, aquela ‘oferenda mal arriada’ não poderia voltar pra sua porta. Vai de retro!

Acha que isto o fez refletir seus gestos? Claro que não! O negócio é curtir a nova vida de solteiro, oras!
Procurou pela velha galera do futebol e pela turma das baladas com as cocotas e não encontrou ninguém. Bom, na verdade encontrou a todos, mas não estavam mais ‘disponíveis’. Todos estavam fazendo coisas realmente importantes tipo; faculdade,  emprego, casamento, especialização na carreira. Que gente chata!

Decidiu viver sua segunda adolescência com 35 anos, que são, segundo ele, os novos 17,5! Namorou, terminou. Morou junto, separou...  trabalhou, encheu o saco do trampo. Comprou carro tunado, vendeu... Foi pra academia, queria ficar sarado, quem sabe aparentar uns 10, 15 anos a menos, ou tantos quantos anos pudesse sugerir!

Mas cansou da segunda adolescência. Decidiu amadurecer também um pouco tardiamente. E o que mais deixaria alguém com cara de maduro senão uma boa religiãozinha. Não passava nem perto da igreja romana, aquela liturgia lembrava muito da professorinha que era bem carola... Ah, não!

Frequentou religiões afrobrasileiras, mas o ‘santo’ não baixava em sua presença. O pai de santo pediu que tão urucada figura caçasse seu rumo, quem sabe no budismo taoísta, no Jorei Center, ou quem sabe uma igreja crente...

Ele não sabia o que era Jorei e acha essa história de budismo e contemplação coisa pra monge dormir... Então só restava a igreja crente.

Passou na porta da Igreja Mundial Universal das Galáxias do Reino de Zeus e decidiu não ficar muito por lá afinal, se eles quisessem fazer um exorcismo não iria dar certo ao exemplo do que aconteceu no centro espírita.

Foi presbiteriano, mas não conseguiu entender esse tal Calvino. Não foi luterano, pois Lutero era por demais revolucionário!  Na assembléia tinha gente que gritava demais e ele não poderia aceitar alguém que gritasse mais que ele!

Difícil essa vida de chatinho, né?

Então se encontrou quando num bar, foi convidado a dar um pulinho na igreja da esquina... Perguntou pro mocinho que lhe evangelizou; “nessa Escola Dominical desce fogo?” o rapaz pensou que o bebum tava zonado com a cara dele, mas foi gentil, como os crentes tem que ser!

E ele foi.
Na aula, fazia diversos comentários que possuíam sempre uma conotação mais coloridinha da verdade. Queria participar do louvor mesmo sem tocar nenhum instrumento ou cantar. Deve ter imaginado que cantar na igreja era dar uma idéia nas irmãzinhas do coral protestante!
Ele explicou que de tantas vezes que ouvira sua musa inspiradora Ana Carla Faladão, poderia ‘ministrar’ em qualquer lugar.

Não passou no teste, mas ficava lá atrás cantando mais alto que os vocalistas pra mostrar seu vozeirão de Pavarotti semitonado.
Ao final do louvor dava notas; hoje foi 5... repetiram muito o refrão e não gostei daquela versão do hino que cantaram.
Um dia chegou azedo e disse assim pro líder do louvor: “Cara, seu louvor é sofrível!” o rapaz engoliu a seco e passou batido.

Foi assediado por uma solteirona, duas viúvas, e um seminarista meio estranho. Rejeitou a todos, ninguém estava no seu altíssimo padrão de mulher (e de homem).

Cansou daquilo também, decidiu seguir seu caminho sozinho, ninguém poderia lhe entender mesmo!
Sua ex, seus filhos, seus amigos, patrões, irmãos na fé... Nem Jesus! Ninguém poderia vislumbrá-lo direito. Era muito complexo, um universo inteiro num corpinho de quase quarenta com cara de trinta e nove e meio...

Quer saber? Antes só que mal acompanhado, disse isso enquanto passou no shopping pra comprar umas roupinhas estilo meio colorê...(uiiiii...)
Renovou seu guarda roupas, seu estoque de chiclete Tridents, comprou umas calças laranja fluorescentes (dois números abaixo) e foi viver sua “terceira segunda infância” pois os 40 são os novos 18!
Vai arrasa, ném!

Wendel Bernardes