Como surgiu Café com Leite Crente?

Café com Leite Crente surgiu dos sonhos de Adriana Chalela (A Razão da Esperança), Regina Farias (Bora Ler) e João Carlos (Pastor João e a Igreja Invisível). Três amigos virtuais e irmãos em Cristo, separados por milhares de quilômetros mas que compartilham da mesma visão do Reino de Deus, Reino este que começa aqui na Terra e continuará por toda a Eternidade. Devido às nossas afinidades, decidimos unir nossos esforços para mostrar que é possível sermos 100% cristãos, mas com os pés 100% no chão, vivendo uma espiritualidade madura e responsável sem perder o amor pela vida que fomos graciosamente presenteados por nosso amoroso Pai.

Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Defendendo uma masculinidade não sexista



Masculinidades e evangélicos: fazendo o caminho em terrenos acidentados


Não sei se acontece com você, não sei se você sente o mesmo; observo cada vez mais homens desconfiando de outros homens, vendo-os como inimigos, como obstáculos, ou no máximo como instrumentos, como meios. (...) Vejo cada vez mais homens cegos pela ambição, não lhes importando a que preço (...) têm que pagar para ter. (...) Quando há tão pouca solidariedade, tão pouca empatia, tão pouca camaradagem entre os homens, estamos mal, meu irmão.
— Sergio Sinay, Carta aberta de um homem a outro homem

A. A situação
Na grande maioria de nossas igrejas subsiste uma linguagem unicamente masculina sobre Deus. Invisibilizam-se as mulheres ao não se adotar a inclusividade na linguagem.

Bem dizia Friedrich Schleiermacher, “tudo que é preciso reconhecer na hermenêutica é unicamente a linguagem”. (Gadamer, 2007: 460)

Nossas interpretações do texto sagrado — e suas consequentes ações pastorais — dependerão muito da linguagem e da forma de verbalização que adotamos quando nos aproximamos do texto.

A linguagem exclusivamente masculina para se referir a Deus levou ao androcentrismo que, nas palavras de Nancy Bedford, é “aquela cosmovisão segundo a qual o homem ou uma idealização do mesmo é colocada consciente ou inconscientemente como norma ou parâmetro da realidade, incluindo a realidade de Deus” (2008:64). O androcentrismo leva ao machismo.

Como se sentem os homens evangélicos diante do androcentrismo e o machismo imperantes?

Muito poucas vezes nos fizemos estas perguntas de maneira honesta, e muito menos compartilhamos em grupos de homens sobre como nos sentimos como tais. Tradicionalmente, os grupos de homens nas igrejas se circunscrevem a prestar contas, termo que supõe um imaginário de “trazer à luz para que vejam como passei a semana; receber repreensões com ‘genuíno amor cristão’ e conselhos sobre como me conduzir”. Sem reparar que dentro de cada homem há alguém que, de uma maneira ou outra, tem sentimentos que, muitas vezes, não os expressa por temor de que sua hombridade seja considerada diferente da que se espera.

Estamos nos deixando ser interpelados?

O relato do encontro da mulher cananéia com Jesus de Nazaré em Mateus 15, 21-28 pode nos ajudar a entender que os homens nem sempre têm a última e única palavra, como a cultura patriarcal nos ensinou. No relato indicado, Jesus nega a esta mulher, a princípio, a cura de sua filha enferma chamando-a praticamente de “cachorra”, termo desrespeitoso com que os judeus se referiam aos pagãos (Mateus 15, 26). Isto revela o racismo imperante que aprendeu de sua cultura. Mas Jesus está disposto a escutá-la e deixar-se interpelar por ela. A mulher confronta as palavras que Jesus lhe disse e, graças a ela, o ministério de Jesus muda radicalmente. A mulher cananéia — que não chegou até nós seu nome através dos evangelhos — lhe responde, dizendo: “Mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores” (v.27b). Finalmente, Jesus ressalta a fé da mulher e concede a cura à sua filha atormentada (De La Torre, 2010).

A compreensão começa ali onde algo nos interpela (Gadamer, 2007: 369). Deixar-se interpelar é renunciar à hegemonia de querer ter respostas para tudo. Nós, homens, somos bombardeados com a premissa de que somos os escolhidos divinos para buscar alguma maneira prodigiosa de resolver as coisas (à la MacGyver). Aqueles homens que não cabem no modelo hegemônico são presa de críticas e desonras. Suas masculinidades são medidas pela lei do mais forte e por uma escala meritocrática.

Escutar é se perguntar, é se conectar com o outro ou a outra em busca de respostas. Ao escutar, descobrem-se e abrem-se possibilidades. Como homens, o modelo hegemônico patriarcal exige de nós não escutar e a ter uma chave-mestra para tudo.

B. Um problema: o dualismo nos papéis de gênero
O dualismo nos papéis de gênero tem levado a teologias discriminatórias e a conceitos complementaristas quanto aos papéis de gênero. O modelo complementarista parte da premissa de que, psicologicamente, homens e mulheres são diferentes; logo, segundo este modelo, cada sexo têm papéis distintos que cumprir na família e na sociedade.

Neste modelo complementarista, a responsabilidade do sustento econômico do lar é papel do homem, enquanto que à mulher se lhe outorga papéis reprodutivos e de cuidado “emocional e moral” dos filhos e filhas.

A paternidade é percebida de maneira reduzida, distante; enquanto que a maternidade é ampla, próxima. Ao pai se exige responsabilidade; à mãe, cuidado. O pai, segundo este modelo, deve infundir nos filhos e filhas o pensamento lógico; enquanto que se espera da mãe infundir carinho. Tudo isto está cuidadosamente construído para dar ao homem pleno poder de controlar o espaço público, sendo competitivo em relação a outros homens, e relegando a mulher ao espaço privado.

A consequência disto é que, em nossas igrejas, na maioria dos casos, os homens ocupam as posições de direção e relevância, enquanto que as mulheres ficam relegadas a um segundo ou terceiro plano, executando unicamente atividades dirigidas por homens.

C. Ter e adquirir consciência histórica de nossas identidades
A consciência histórica é um caminho de mão dupla: em primeiro lugar, leva-nos a ter consciência da alteridade do outro e da outra; e em segundo lugar, a ter consciência da alteridade do passado (Gadamer, 2007: 437).

Em nossas igrejas, nós, homens, não criamos espaços para adquirir consciência e cuidar uns dos outros; escutar-nos, deixar-nos provocar, contar histórias de vida e experiências.

As masculinidades são um terreno ainda não trilhado nos grupos de homens que se reúnem nas igrejas. Nas relações entre os homens predominam um “respeito” distante, sem proximidade, inter pares, funcionando automaticamente como dita o modelo hegemônico da masculinidade imperante. Os sentimentos são vedados e quem os expressa corre o risco de ser menosprezado.

As relações entre homens e mulheres em muitas igrejas baseiam-se no “cuidado” que é como os homens devem tratar as mulheres, lhes é dito. Um cuidado patriarcal — “como parte mais frágil” — que só aceita proximidade entre casais casados. É também um cuidado exacerbado em controlar a corporalidade das mulheres — “para que sejam prudentes e puras”. É o paradigma de que o homem é uma besta selvagem que necessita ser domesticada.

D. Bestas selvagens ou seres humanos?
O modelo hegemônico de masculinidade, ao qual se pretende que todos os homens alcancem, cria monstros. Tanto aqueles que exercem violência física ou verbal em relação a suas esposas, a outras mulheres e a outros homens, quanto aqueles que são considerados como tais por não se encaixarem no modelo: um modelo de homem forte, que não se altera, que não tem sentimentos e que demanda atenção sem se deixar interpelar. Aí ficam de fora, sem apreciação, muitos homens que, como destaca Mario Zúñiga Núñez,

são suscetíveis de se converter em monstros (maldade pura, irracionalidade absoluta, retraimento). O monstro se converte nessa Ovelha Negra que tentará ser absorvida para se apresentar como o triunfo do sistema, seja por sua derrota ou sua cooptação. De tal maneira que o sistema tentará dois caminhos: o primeiro será assassinar o monstro, assegurando um jogo do bem contra o mal (…); o segundo, a cooptação desse monstro, face à apresentação de um modelo (a ovelha negra que se converte em branca) (2008: 23).

A violência sistêmica é endossada pelo fundamentalismo bíblico imperialista, e convertida pastoralmente em desamor, concentrando seu poder vital no controle econômico e reprodutivo. A vida mostra-se, então, coisificada. Privilegia-se, por exemplo, a união de uma família e a reconciliação constante à saúde e salvaguarda de mulheres violentadas e maltratadas por seus companheiros.

E. Soldadinhos de chumbo teledirigidos ou como foi construído o sujeito masculino
O sujeito masculino foi circunscrito a um modelo hegemônico que manifesta sua subjetividade como símbolo de poder, dominação, atividade, superioridade e independência, considerado como paradigma da espécie humana.

Segundo pontua Ivone Gebara:

“Gênero” significa uma construção social, um modo de estar no mundo, um modo de ser educado ou educada e um modo de ser percebido ou percebida que condiciona o ser e o fazer de cada indivíduo… a relação de gênero foi e segue sendo a construção de sujeitos históricos submetidos a outros sujeitos, não só em virtude de sua classe social, mas por uma construção sócio-cultural das relações entre homens e mulheres, entre masculino e feminino (2002: 90-92 in Pimentel Chacón, 2008: 62).

Na teologia cristã, o corpo esteve moldado pelo dualismo platônico corpo-espírito. O corpo é percebido como reservatório do pecado, enfatizando a culpa que levou à necessidade de se conectar com a Divindade para alcançar o “homem novo” (espírito). O corpo masculino converteu-se, então, em paradigma médico e religioso, diminuindo o corpo feminino como diferença (não-homem).

Com a revolução sexual dos anos 1960, já em plena Guerra Fria, os símbolos corporais mudaram: o homem se converteu em provedor, protetor e líder, enquanto que a mulher passou a ser símbolo sexual comercializável, corpo que nutre, recebe e afirma a hegemonia do homem.

Tanto em homens como em mulheres, existe uma visão fragmentada de seus corpos. No homem, seu corpo esteve oculto detrás de seu eu: é ausência (rechaço da nudez frontal), enquanto que na mulher, seu corpo está sobredimensionado e oculta seu eu: é presença (Baltodano, 2006).

F. O modelo hegemônico de masculinidade e sua influência na e desde as igrejas
A teologia cristã tradicional enfatizou a supremacia do homem sobre a mulher e com ele, uma única e desejável maneira de ser e fazer-se homem. É necessário reconhecer que o paradigma do Deus cristão masculino foi capital para conformar, a partir da teologia, o modelo hegemônico de masculinidade.

Os relatos da bíblia que não se conformam ao paradigma imperante de gênero, ou são deixados de lado, ou só são tratados de uma perspectiva moralista. Uma teologia narrativa tanto na hermenêutica como na homilética pode nos ajudar a descobrir as diversas e múltiplas formas de ser homem.

Nós, homens, necessitamos nos escutar e compartilhar entre nós mesmos e com as mulheres como nos sentimos, refletindo sobre como chegamos a ser homens e como estamos vivendo nossas masculinidades.

Gênero não é só falar de mulheres; também é falar de homens.

A masculinidade hegemônica vai se construindo pouco a pouco nas igrejas, onde se contam para as crianças histórias da bíblia baseadas no poder e na violência como exemplos a imitar: Davi que derrota os seus inimigos; Sansão como paradigma do homem do Deus-forte; Jesus afeminado e de outro mundo, mais divino que humano.

Tristemente, nossas igrejas serviram como “entidades vigilantes” que constantemente cooptaram a corporalidade dos homens, exigindo-lhes compostura, força, repressão de sentimentos e cuidado da mulher frágil.

O modelo hegemônico de masculinidade rechaça toda a diferença. A maioria dos homens não cabe nesse modelo, mas têm que estar demonstrando constantemente e demonstrando para si mesmos que são homens, para não cair em uma menos-valia masculina (1). Os papéis de gênero ficam bem diferenciados: ao homem lhes são atribuídos os papéis de liderar, prover e proteger; enquanto que à mulher os papéis de afirmar (a liderança do homem), receber e nutrir (2).

G. Pautas pastorais
1. Que as igrejas sejam espaços libertadores e inclusivos. Toda pessoa é criação e semelhança de Deus, e merece ser acolhida, afirmada e respeitada em sua identidade.

2. Os ministérios na igreja são dons que Deus dá a todos e todas. Toda pessoa é livre para desenvolver o ministério ou trabalho que sentiu fazer na comunidade de crentes.

3. Que a educação sexual seja laica. É necessário se apropriar do corpo e saber disfrutá-lo, reclamando a autonomia na sexualidade e incidindo para que se legisle por uma paternidade e maternidade responsáveis (Baltodano, 2006).

4. Que as igrejas sejam comunidades de paz e respeito mútuo, onde o cuidado mútuo, a solidariedade, o amor e a acolhida sejam valores fundantes.

5. Animar, criar e fomentar grupos de homens nas igrejas comprometidos em ser vozes proféticas para denunciar a violência exercida contra as mulheres, sendo aliados com elas em suas lutas e demandas sociais.

Notas
* Trabalho apresentado na Consulta Latino-americana de Missão Integral, Relações de Gênero e Violência contra a Mulher. Rede Miquéias. Salinas, Equador, setembro-outubro de 2010.
(1) O termo é de Joan Guillermo Figueroa Perea (Pichardo Almonte, 2005: 176).
(2) Esta separação de papéis, tão daninha para as igrejas, fica exemplificada em livros como Recovering biblical manhood and womanhood. A biblical response to Evangelical feminism (John Piper e Wayne Grudem [editores]. Wheaton: Crossway Books, 1991).

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Casamento...



Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Por quê?"

Eu evitei respondê -la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio" ,disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio". Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. "Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício", pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração..... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho.... fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe."

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta.

Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos.

Tenham um casamento real e feliz!

domingo, 28 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Prefeito do Rio pede à população que não se "acovarde" por causa de "terroristas"



RODRIGO RÖTZSCH
DO RIO
Fonte: UOL

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), fez na manhã desta quinta-feira um apelo à população para que não se "acovarde" diante da onda de ataques do tráfico e respalde a política de segurança pública do Estado.

Paes dedicou seu discurso, em um evento para sancionar um pacote de incentivos à instalação de novos hotéis na cidade, à atual situação de segurança na cidade.
Desde domingo, foram incendiados pelo menos 55 veículos e confrontos entre polícia e criminosos deixaram 27 mortos.

"O que nós temos são ações de terrorismo, claramente para deixar as autoridades num córner e gerar um clima de "essa política não está dando certo porque a gente faz o que quer'. Não fazem o que querem nesta cidade!", afirmou.

O prefeito disse que, diferentemente de antecessores, "nós não estamos pedindo nem vamos pedir trégua a terroristas, marginais, delinquentes".

"Nós vamos dizer: "Vem'. Querem enfrentar o Estado, venham. Nós vamos reagir com tudo."

Paes afirmou que o Rio vive um ponto de virada na sua história. "Vamos ganhar essa briga agora. Desta vez a gente não pode recuar. Os problemas que vão acontecer nos farão sofrer, mas farão bem para esta cidade e este Estado."

"O meu apelo a todos os cariocas é respaldar as forças de segurança e não nos acuarmos. Estou pedindo às pessoas que não se acovardem, que não caiam na boataria. Não vamos nos render a marginais desorganizados", pediu.

Paes atribuiu a deterioração da segurança pública no Rio a falta de políticas de antigos governadores e prefeitos para o setor.

"O Rio passou por um período muito maior do que o aceitável sem que as autoridades tomassem qualquer tipo de atitude e reação. O Estado perdeu em determinado momento sua soberania sobre certos pontos da cidade", afirmou.

Ele relatou que, quando assumiu o cargo, no ano passado, se surpreendeu ao saber que teria que fazer um caminho mais longo entre a residência oficial da Gávea Pequena (zona Norte) e o centro administrativo da Prefeitura, no centro da cidade, por não poder passar por uma rua próxima ao morro do Borel, então dominado pelo tráfico.
"Como o prefeito não pode passar por uma rua da sua cidade?", questionou.

Neste ano, foi implantada no Borel uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Desde então, o prefeito toma o caminho mais curto para o trabalho.

O governo do Estado atribui a onda de violência a uma reação de facções criminosas às UPPs.

Paes disse que o caminho para pacificar toda a cidade é "duro e tortuoso", mas que não será alterado.

"Ninguém disse [na campanha eleitoral] que o problema está resolvido. O que dissemos é que apareceu uma luz no fim do túnel. Não encontramos a solução para todos os problemas, mas encontramos um caminho a ser percorrido", afirmou. "Não é possível que o Rio vá sucumbir a essa ridícula minoria."

Falo eu:

Amados irmãos, orem à Deus pela PAZ no Rio de Janeiro, pela paz no Brasil...