Como surgiu Café com Leite Crente?

Café com Leite Crente surgiu dos sonhos de Adriana Chalela (A Razão da Esperança), Regina Farias (Bora Ler) e João Carlos (Pastor João e a Igreja Invisível). Três amigos virtuais e irmãos em Cristo, separados por milhares de quilômetros mas que compartilham da mesma visão do Reino de Deus, Reino este que começa aqui na Terra e continuará por toda a Eternidade. Devido às nossas afinidades, decidimos unir nossos esforços para mostrar que é possível sermos 100% cristãos, mas com os pés 100% no chão, vivendo uma espiritualidade madura e responsável sem perder o amor pela vida que fomos graciosamente presenteados por nosso amoroso Pai.

Só que a família cresceu! Pelo Caminho conhecemos mais três irmãos maravilhosos, com a mesma visão do Reino: René Burkhardt (Nem de Paulo nem de Apolo: de Cristo!), Cláudio Nunes Horácio (Susto de Amor) e o "atrasildo" do Wendel Bernardes (Cinema Com Graça), que agora fazem parte desta gangue...


segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Esperança onde menos se espera...




Esta manhã ele acordou demasiadamente frustrado. Os últimos dias foram duros, na verdade foram insuportáveis. Não estava mais em casa, mas a sensação era a mesma. Só se deu conta de que não estava mais lá, pois o teto era diferente. Ele abriu os olhos e se viu perdido, sem referência. Quem sou eu?

Ontem mesmo, quando ainda estava com seu ‘amigo’ depois da briga, parecia vivenciar um pouco melhor a vida, mas acordar ali o fizera desconsiderar seus caminhos, pelo menos agora pensava assim. Mais nada era definitivo nessa sua vida indefinida por si só!

Talvez tudo tenha começado em sua infância, onde seu pai truculento lhe dava amor apenas em pancadas. Amor em pancadas? Claro, assim iria endireitar-se, já viu homem se formar sem porrada? Bom, foram essas porradas que agora o fazem lembrar-se de seu velho com tanta amargura.
Porque minha mãe nunca tomou coragem e me defendeu? Talvez porque ela mesma tivesse medo de que aquele ‘homem’ que o pai dizia não se formasse nem com porradas, nem com palavras de amor e afetuosidade.

Mas pensar nisso não o fazia mais feliz, na verdade o tirava do sério. A tristeza que antes sentia de sua família, agora se tornou uma mágoa tão profunda, tão densa e tangível que parecia que apenas a Mão de Alguém poderia arrancá-la de lá. De onde? Do peito!

Quando ele decidiu contar o que se passava em seu coração, na verdade não queria ‘libertar-se’, mas apenas contar com a compreensão de todos. Queria ajuda, abrigo, guarida.
Agora sente-se um verdadeiro idiota. Como poderia imaginar que teria atenção neste momento, durante os vinte e três anos que vivera nunca os teve, porque agora? Martirizava-se por ser quem é. Ou, por ser quem forjou-se.

Quando mais jovem, talvez uns dois ou três anos antes, buscou num amigo, opinião sobres seus sentimentos. Ele, o amigo, era um bom rapaz, religioso daquela seita protestante da esquina, conhecia-o desde a infância quando brincavam animadamente na frente da casa da família. Eram bons tempos, nada se passava pelo coração; sem perguntas, sem rumores, sem explicações...

Lembrou-se que, um dia disseram a ele que se abraçasse uma fé, e de preferência uma fé protestante que era a mais certa, poderia aplacar sua dor de ser quem a família temia que ele fosse. Então, conversando um dia com seu amigo, abrindo seu peito a ele, teve uma grande alegria quando o viu sorrir ao contar-lhe sua dor.
- Ah, é isso? Bom, isso não é algo tão ruim, apenas não deve ser contado a ninguém!
- Então quer dizer que devo viver assim, sem dizer quem sou? Sem fazer exposição do que se passa em mim?
Os olhos do amigo brilharam, enquanto suas mãos tocaram seu ombro agora tenso.
- Claro que sim, como você acha que eu vivo?
- Você ... você também?
- Sim, eu também! Disse com um sorriso ausente de satisfação, mas de vergonha.
Ele saiu dali, meio desorientado, meio assustado, afinal aquela piscadela que tomara no final da conversa, junto aquele abraço demasiadamente apertado não queria sair da sua cabeça. Foi assim que entendeu que uma religião legal, por mais certinha que fosse não fazia mais bem do que uma pedra no sapato.

Mas essas lembranças também não o ajudaram. Ele olha para o celular e percebe que não há ligações perdidas de ninguém, pensa se deve mesmo levantar-se ou se passa o resto desse fatídico sábado na cama chorando suas mágoas.

Até ontem estava em casa, será que fez errado em contar? Será que se voltar o papai me aceita? Afinal foi só uma comunicação desencontrada, ele nem tinha terminado de se explicar.
Enquanto mais aquela pergunta rondava sua cabeça, alguém bate à porta.
Como pode, só ‘moro’ aqui faz algumas horas, como me encontraram?
Quando ele saiu de casa, achou esse quarto de aluguel, não era lá grande coisa, mas estava limpo e era o que seu dinheiro do salário de ‘treinèe’ poderia pagar. Melhor do que a rua era sim, claro!

- Oi quem é? Disse sem abrir a porta.
- Sou eu, cara!
- Eu? Eu quem?
- Quer dizer que faz só umas horas que tu não me vê e já me esqueceu?
Ah, era seu ‘amigo’.
Entrou olhando para ele com uma cara de espanto. Esperou ganhar um abraço, mas nem uma olhada ganhou.

- Cara, que tá rolando? Não achou que iria ser diferente, achou?
- Claro que sim... num queria sair de casa!
- Eu também num queria que você saísse de lá, sei como é ligado com sua mãe...
- Era..
- Ok, ‘era’ ligado com sua mãe. Mas olha pelo lado bom...
- Qual lado bom, hein?
- Agora teremos mais... privacidade, entendeu?
Ele olhou seu ‘amigo’ com certo ódio, nunca quisera assim, na verdade, nunca quisera que fossem mais do que eram.
- Pode voltar depois? Num tô nada legal!
- Claro, te ligo mais tarde, afinal, vamos aproveitar a ‘night’ pra ver se você ‘se ativa’!
Ele estava falando da balada que frequentavam, mas ele num tava nem um pouquinho a fim de luzes piscantes, som de bate-estaca, ar condicionado insuficiente e bebida ruim.
Ele queria amor, conforto, carinho!
A balada estava sem graça, o ‘amigo’ passou de ser sem graça, aquele quartinho embora útil, estava pra lá do conceito básico de ser sem graça.

Era mesmo isso que queria?
- Que m&#d@ fui fazer, pensou.
Então, lavou o rosto pra num dar mole na rua, tinha chorado a noite inteira, sua cara num deveria estar boa pra se ver. Pôs uma roupa legal, que estava meio amassada na mochila de viagem que fez às pressas com seu pai ladrando em seu pescoço e foi pra qualquer lugar senão aquele!

Pegou um ônibus, bem vazio, era sábado e não tinha muita gente indo pro Centro do Rio, se deu conta que pegou o mesmo ônibus que sempre pegava para ir trabalhar...
- Que burro, putz!
Ficou lá olhando aquela cena que veria de novo na segunda feira, se a segunda chegasse e o encontrasse vivo pra tal.
Pois é, pensou em morte, já era...
Meu Deus, nunca sequer imaginei que iria pensar em fazer tal coisa, logo eu que amo a vida!
Foi quando passou por um outdoor que dizia: “Eu vos dou vida, e vida em abundância!” foi seu primeiro sorriso naquele dia terrível, mas foi de pura ironia, viu? Tanto que acordou o carinha do lado.
- Falou comigo?
- Não desculpe, só ri alto duma frase que li num outdoor.
- Qual aquele ali?
- É... esse mesmo. O rapaz do lado só pôde ler a mensagem, pois estavam parados num semáforo. Ele também sorriu.
- Ué, não sabia que era piada!
- Agora é, oras...! Riram juntos.

Assim começou uma conversa normal, sem nada além disso, então o cara do lado lhe disse;
- Sabe o que aquela frase quer dizer?
- Que se eu der o dízimo pra algum pastor a vida dele será abundante?
- Riu por demais enquanto dizia: - Claro que não!
- Quero dizer que um cara deu a vida para que você não precisasse morrer.
- Tá falando do Jesus dos crentes?
- Claro que não, falo do Filho de Deus!
- Qual diferença?
- O Filho de Deus, ama aos seres humanos mais do que amou Sua própria vida, pois morreu a pior morte só pra te ver assim sorrindo como agora! E sorrindo pra valer depois de agora.

- Mas você num sabe como eu chorei esta noite.
- Eu? Claro que num sei... num tava lá... riram de novo!
- Mas Ele com certeza viu! Aí, tu acredita que fui escalado pra trabalhar de última hora?
Ele pensou: O que isso tem a ver? Mas não disse palavra.
Então o cara do lado continuou;
- Eu acredito que fui chamado aqui de propósito!
- Como assim?
- Ué, você precisava entender que Jesus é a vida pra você, e se você decidir, Ele pode te fazer alguém feliz, de dentro pra fora!

- Cara, Jesus não pode me aceitar, eu sou...
- Chato? Já saquei, mas Ele é um cara paciente, viu?
Riram, depois ficou um silêncio no ar até que o cara do lado, antes de levantar-se falou assim;
- Se você quiser, pode repetir comigo umas palavras, que se você pôr seu coração nelas, serão as palavras que mudarão sua vida.

Ele imaginou que iria repetir alguma coisa como ‘abracadabra pé de cabra’, mas pagou pra ver...
- Então diga lá!
- Ok; Senhor Jesus, preciso ser aceito por ti e preciso que Teu amor me envolva.
Repetia baixinho, cheio de vergonha do mico de rezar no ônibus, claro!
Mas ao abrir os olhos, parecia estar mais leve, mais alegre. E de uma maneira que não há tradução nem no inglês pra essa palavra! Sacou?
- Bom, disse o cara do lado, já vou indo.
- É só isso?
- Isso meu velho, é só o começo, Ele tem muito pra fazer aí no teu coração, mas isso é um processo diário, é só deixar Ele te achar e te conduzir.

Ele achou estranho, mas aquelas palavras doidas faziam o maior sentido.
Agora se sentia melhor, pois não era o amor de um ‘amigo’ que lhe preenchia a vida, mas o amor de Cristo, que supera todas as adversidades.

Sabia que não seria fácil, mas nada poderia ser pior que aquela fatídica noite de ontem. Seguiu sua viagem sorrindo, já não estava mais só, quem o via de fora, podia visualizar um vulto de homem ao seu lado, era Jesus, seu mais novo amor, seu mais novo amigo. Verdadeiro amigo!

Wendel Bernardes.



6 comentários:

  1. Todos os dias a gente se depara com pessoas assim, vivendo das dores de um passado, geralmente em família. Pessoas que ficam amarguradas, pois querendo consertar o que não tem conserto.
    Quando, na verdade, o que tem conserto é o que, AGORA,ficou na alma... Pra isso sim, tem CURA! Amém!!!

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  2. E aí entra Jesus como um bálsamos caríssimo, na verdade sem preço, e nos devolve a cura, a sanidade!

    Lindo seu comentário Rê!

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  3. E que texto, heim?

    Sabe...

    Cada dia me sinto mais abencoada por ler coisas que nos enchem de alegria, de esperanca, que ensinam nos mais diversos blogs e nas mais diversas formas literárias.

    No amor de Cristo que nos uniu,

    R.

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  4. nananinanão, num é bondade, é agradecimento...

    A Deus! :)

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